Redes P2P: pirataria ou aliadas do comércio formal?

Quando o estadunidense Shawn Fanning criou, em 1999, a primeira ferramenta para compartilhamento de músicas em formato MP3, o Napster, ele talvez não fizesse idéia que estaria dando início a uma revolução que atingiria significativamente a indústria do entretenimento. O uso da tecnologia P2P (peer-to-peer) possibilitou o acesso à músicas e filmes, mas acabou acirrando as discussões sobre os limites e consequências da pirataria.

Todos os dias, usuários de todo o mundo se conectam, através de software-clientes, à redes interligadas a vários computadores. Com o objetivo de compartilhar os mais variados tipos de arquivos, entra em cena a tecnologia P2P, a mesma utilizada pelos protocolos de mensagens instantâneas. É com ela que torna-se possível baixar arquivos livremente pela web, mas foi também com o surgimento dela que o cinema e, principalmente, o mercado da música sentiram os abalos causados por essa nova onda.

A facilidade em baixar os hits do momento fez a pirataria crescer substancialmente. Filmes que nem entraram em cartaz, podem ser vistos pelo computador ou mesmo na televisão de casa. Assim, produtoras e gravadoras começaram a atribuir às redes P2P o fracasso de vendas em que se tornaram desde a consolidação delas, no ano 2000. À contraponto, a pirataria ganhou força, impulsionada por seu baixo custo, e os softwares de compartilhamento, como kazaa, eMule e LimeWare, alcançaram o auge de sua popularidade.

Em uma recente pesquisa elaborada pelo governo canadense, entretanto, houve uma surpresa. Os dados apontaram que as mesmas redes de compartilhamento alvo de duras críticas têm um reflexo positivo no mercado fonográfico. Concluiu-se que os usuários de redes P2P são mais sensíveis à compra de músicas, tanto no espaço real quanto virtual, diferente dos que não o fazem. O resultado, até um pouco contraditório, pode ser o início de uma nova maneira de pensar esses tipos de serviços.


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