Netscape: da morte ao renascimento

Após uma trajetória marcante na história da Word Wide Web, o Netscape Navigator vai, definitivamente, tornar-se peça de museu. Ele obteve inúmeras conquistas ao longo dos anos, muitas das quais contribuíram significativamente para o amadurecimento do mercado de navegadores. Entretanto, também foram muitos os erros cometidos, custando-lhe derrotas amargas que se estenderam até agora. A suspensão do seu desenvolvimento e suporte, no próximo dia 1° de março, marca o fim do browser cujo brilho já havia se apagado há muito tempo.

Primeiro grande navegador da história, o Netscape surgiu em um momento de amadurecimento e expansão da internet. Com uma interface simples e um motor de navegação com qualidade invejável, ele chegou a ser usado por mais de 90% dos usuários. Sem grandes rivais a sua altura, o browser seguia uma trajetória de sucesso. Percebendo o mercado que reluzia a sua frente, a gigante Microsoft decidiu então levar a sério o, até então fraquíssimo, Internet Explorer.

Para entrar na briga, seriam necessários muito empenho e análise do adversário. Para ganhar terreno, a palavra era apenas uma: estratégia. Seguindo esses preceitos, a versão 4.0 do IE logo estava pronta para a guerra. Bem mais competitivo e com a vantagem de ter como aliado o sistema operacional mais usado da época, o Windows 95, o navegador da Microsoft começou sua escalada rumo ao êxito. Já o Netscape… Este simplesmente começou a ver sua presença na rede decrescer ano após ano.

Com a concorrência oferecendo o seu produto gratuitamente, enquanto o Navigator era pago, a situação ficou ainda pior. Em 1999, a América OnLine – AOL – acabou por adquirir a Netscape Corporation, o que proporcionou um maior tempo para buscar a recuperação. Mas a investida não surtiu efeito. Nesse período, projetos de construção de um novo navegador a partir da abertura do código do Netscape começavam a ganhar força. Engatinhava, assim, o herdeiro Mozilla Firefox.

Com motor de navegação semelhante ao usado pelo antigo Netscape, porém bem aperfeiçoado e com suporte a aplicativos, o ‘filhote’ Firefox é o legado mais importante deixado por aquele que atualmente tinha menos de 1% de participação no mercado. À raposa de fogo está reservada a tarefa de ser o fantasma dos sonhos do IE e, também, o consolo para os entristecidos fãs do Navigator. Ao que parece, o browser que um dia foi a principal porta de entrada para a web, renasceu ainda mais forte do que nunca.

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