Proibir jogos é a melhor forma de combate à violência?

O que para muita gente é sinônimo de diversão, está sob os olhos atentos da justiça. Não, a bola da vez não é mais um vídeo indiscreto postado no Youtube, mas nem por isso a história deixou de gerar uma grande polêmica. Em pauta está a proibição dos jogos Counter Strike (CS) e Everquest. Apesar de estarem embargados desde outubro de 2007, a decisão ganhou notoriedade somente em janeiro de 2008. O fato deixou insatisfeita uma numerosa comunidade de gamers.

A proibição se deu em Minas Gerais, mas logo foi estendida para todo o território nacional. Sob a alegação de causar danos à saúde dos usuários, os órgãos de defesa ao consumidor de vários estados foram acionados e começaram a fiscalizar a comercialização desses jogos, chegando até a realizar apreensões. Apesar da repercussão, esse tipo de proibição não é novidade no país. Para o banco dos réus já foram nomes como Doom, Carmageddon e Grand Theft Auto, mais conhecido como GTA.

Considerado um passatempo inofensivo para uma legião de jogadores, os games obdecem a restrições estabelecidas pelo Ministério da Justiça. Foi segundo determinação deste orgão, por exemplo, que o CS foi considerado impróprio para menores de 18 anos. Porém, não é difícil encontrar jovens, com idade inferior à determinada, aos tiros com grupos virtuais de terroristas, em Lan Houses ou outras casas de jogos.

O embargo desses produtos, que segundo a justiça brasileira são extremamente violentos e causam sérios distúrbios psicológicos, gerou polêmica e abriu margem a discussões sobre liberdade e censura. Para os jogadores, a decisão é descabida, tendo como suporte a alegação de que em países onde esses mesmos tipos de jogos online são bastante fortes, o índice de violência entre os jovens é mínimo. A China e a Coréia são alguns dos exemplos mais citados.

Sendo ou não um fator de estímulo à quebra das normas, é impreciso afirmar que a proibição será a forma mais eficaz para se combater a violência urbana. Uma significativa evidência disso está no caso do jovem Mateus Meira, que no ano de 1999 disparou tiros em um cinema, em São Paulo. Na época, cogitou-se a influência do jogo Duke Nukem como a principal motivação para aquele ataque. Mais tarde, entretanto, comprovou-se que o garoto possuia distúrbios emocionais, além de estar sob o efeito de entorpecentes no dia do crime. No período posterior à tragédia, dezenas de jogos foram banidos do país, dentre eles o Duke Nukem. Mesmo assim, o quadro da violência brasileira parece estar ainda pior.

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